sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Entre minhas pernas.




Toda noite meus passos me levam para a sarjeta. A batucada do samba irradia em mim uma certa alegria passageira. Ao amanhecer, meu cheiro é de álcool misturado com corpos desconhecidos.
Encontro minha colega de trabalho, e juntas vamos a espelunca onde moramos, que a noite nos proporciona tesão, dinheiro, e um tanto de infelicidade.
As ruas viraram minhas confidentes, sempre cheias de amantes de todos os tipos. Asquerosamente passo por eles.
O frio passa pelas minhas pernas descobertas, que finjo não sentir, mas a sensação gelada finca até a alma.
Escuto risos falsos nessas noites tão vazias, e penso como posso fazer parte disso, de todo esse prazer precário, onde nem toda necessidade é suprimida, nem mesmo  nos meus devaneios.
Solto minhas teias como se fosse uma aranha prestes a atacar. Engulo a seco minhas moscas.
Suspiros, respiração, gemidos. Apenas ri, peguei meu dinheiro, e o deixei partir, assim como todos se vão. Não prometo amor em meio a minha luxúria.
Meu samba está no final, o Sol está nascendo.