Toda noite
meus passos me levam para a sarjeta. A batucada do samba irradia em mim uma
certa alegria passageira. Ao amanhecer, meu cheiro é de álcool misturado com
corpos desconhecidos.
Encontro
minha colega de trabalho, e juntas vamos a espelunca onde moramos, que a noite
nos proporciona tesão, dinheiro, e um tanto de infelicidade.
As ruas
viraram minhas confidentes, sempre cheias de amantes de todos os tipos.
Asquerosamente passo por eles.
O frio passa
pelas minhas pernas descobertas, que finjo não sentir, mas a sensação gelada
finca até a alma.
Escuto risos
falsos nessas noites tão vazias, e penso como posso fazer parte disso, de todo
esse prazer precário, onde nem toda necessidade é suprimida, nem mesmo nos meus devaneios.
Solto minhas
teias como se fosse uma aranha prestes a atacar. Engulo a seco minhas moscas.
Suspiros,
respiração, gemidos. Apenas ri, peguei meu dinheiro, e o deixei partir, assim
como todos se vão. Não prometo amor em meio a minha luxúria.
Meu samba
está no final, o Sol está nascendo.
