A Terra (ao avesso)
Esferas brancas e amarelas percorriam pelo ar. Um certo sufoco, vertigem, frio na barriga. O dia só estava nublado lá embaixo, em cima o sol radiava e as nuvens ocupavam todo o espaço, vários tons de azul.
Mais uma vez o frio percorria a espinha, arrepiava, não sentia calor. A solidão o acompanhara aquele dia, assim como todas as vezes.
Era engolido todos os dias, e naquele momento, sozinho, deixava sentir...
Queria flutuar junto ao ar, ser uma nuvem na imensidão, ou apenas dormir naquela roda gigante.
FRIO NA BA-RRI-GA. Foi virado do avesso, mergulhou no desconhecido.
O céu parece o mar.
As esferas continuaram prosseguindo seu caminho, fazia seus cabelos cintilarem.
Voltou ao normal, mas sua pele ainda ardia.
Vertigem
O tempo não passava. Olhava para o relógio e parecia que o mundo estava parado.
Tremia, passava um desenho qualquer na tv.
A ânsia era contínua, o vômito chegava até a boca e voltava. O corpo parecia estático, estava enrijecido. Sentia sono, mas não podia dormir, a insegurança não deixava.
8H38. E nada.
Parece que vai ficar preso no ar, rodopiando junto com os balões juninos lá fora.
O coração estava quase sendo vomitado, e o frio permanecia apenas lá embaixo, no mundo irreal.
A Matilha
Acordou assustado. Colocou uma roupa qualquer e foi dar uma volta pelo quarteirão.
O dia estava nublado assim como tudo em sua volta.
Haviam bichos rastejando-se em tudo, cada um com suas peculiaridades. A confusão estava ali todos os dias.
Era estranho se ver naquele lugar, desfragmentando-se a cada minuto.
Observou tanto que quase enlouqueceu. Correu só, a procura de entender.
Pegou desejos, segregou-se, correu, tentou fugir, mas caiu na sala de espelhos, já não distinguia imagem do real.
Parou, sentou, chorou. Levantou-se e viu que estava preso ali, e era um deles.
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