terça-feira, 24 de junho de 2014

A Terra (ao avesso) / Vertigem / A matilha

A Terra (ao avesso)

Esferas brancas e amarelas percorriam pelo ar. Um certo sufoco, vertigem, frio na barriga. O dia só estava nublado lá embaixo, em cima o sol radiava e as nuvens ocupavam todo o espaço, vários tons de azul.
Mais uma vez o frio percorria a espinha, arrepiava, não sentia calor. A solidão o acompanhara aquele dia, assim como todas as vezes.
Era engolido todos os dias, e naquele momento, sozinho, deixava sentir...
Queria flutuar junto ao ar, ser uma nuvem na imensidão, ou apenas dormir naquela roda gigante.
FRIO NA BA-RRI-GA. Foi virado do avesso, mergulhou no desconhecido.
O céu parece o mar.
As esferas continuaram prosseguindo seu caminho, fazia seus cabelos cintilarem. 
Voltou ao normal, mas sua pele ainda ardia.


Vertigem

O tempo não passava. Olhava para o relógio e parecia que o mundo estava parado.
Tremia, passava um desenho qualquer na tv.
A ânsia era contínua, o vômito chegava até a boca e voltava. O corpo parecia estático, estava enrijecido. Sentia sono, mas não podia dormir, a insegurança não deixava.
8H38. E nada.
Parece que vai ficar preso no ar, rodopiando junto com os balões juninos lá fora.
O coração estava quase sendo vomitado, e o frio permanecia apenas lá embaixo, no mundo irreal.

A Matilha

Acordou assustado. Colocou uma roupa qualquer e foi dar uma volta pelo quarteirão. 
O dia estava nublado assim como tudo em sua volta.
Haviam bichos rastejando-se em tudo, cada um com suas peculiaridades. A confusão estava ali todos os dias.
Era estranho se ver naquele lugar, desfragmentando-se a cada minuto.
Observou tanto que quase enlouqueceu. Correu só, a procura de entender.
Pegou desejos, segregou-se, correu, tentou fugir, mas caiu na sala de espelhos, já não distinguia imagem do real. 
Parou, sentou, chorou. Levantou-se e viu que estava preso ali, e era um deles.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Mais um texto ruim; dia de bar


Veneno da noite, sou o câncer mal consumido do órgão que se desfragmentou. O câncer da buceta que arde e desespera desse não ter o que fazer. Não escrevo poesias, e não escreverei insetos malditos que orbitam em minha cabeça, porque prefiro o abstrato. Vivemos o abstrato que é o orgasmo da masturbação vazia.
A cerveja gelada me completa agora, das lágrimas mal resolvidas das incertezas do bar. A efemeridade me marca. Do sentido falso das noites que fingimos, porque as vezes somos feitos de mágoas.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Está na hora de voltar... E partir.


Entrego meu corpo ao mar, está chegando a hora da partida.
Selva de pedra engole almas carentes a procura da esperança.
O som é a salvação dos mal criados, da loucura extrema que passa por aqui.
Mutação em desespero, a vida é uma mutação.
Brisa leve roçando nossos corpos.
Está na hora de voltar... E partir.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Simples.




Rodopiava ao som de um fá maior!
Seu sorriso inundava o coraçãozinho dos menininhos que andavam descalços na rua. Andava como se dançasse com as nuvens. A vidinha simples lhe era suficiente, o cheiro do café passado todas as manhãs compensava o frio que havia ali.
Todo o dia passava na frente de um violonista que lhe encantara tocando ritmos latinos, naquelas tardes vazias que parecem intermináveis.
Trabalhava numa lojinha de bugigangas que não a fazia feliz, com um misero salário, que não podia comprar os vestidos floridos das lojas, mas que pelo menos a sustentava, e podia pagar o aluguel do seu quartinho.
Ela não sabia o que queria. Quando criança pensava em ser veterinária, para cuidar dos seus gatos, mas os anos passaram, e eles morreram junto com os sonhos que foram murchando.  Agora pensa que nasceu para nada, viver de beira em beira por aí, na sua rotina.
Às 18:30 pega seu ônibus lotado para chegar às 20 no seu quartinho alugado no fundo da casa da Dona Flô. Comia qualquer coisa que servisse, tomava seu banho, via a novela das 9, e logo após ia se deitar em meio a pensamentos até adormecer.
Acordava de manhãzinha e repetia o que fazia todos os dias. Passava o seu café, sentia o cheiro...
E lá estava ela. Pegando seu ônibus lotado, sendo mais um rosto na multidão, desses que não notamos. Com seus desejos, alegrias, infelicidades.
Os menininhos descalços na rua esperando seu sorriso.
  - O som do violão!
E a felicidade momentânea passava por ali.

domingo, 6 de outubro de 2013

Vontades.






A minha vontade é maior que meu corpo.
Me consome por inteiro e toma conta do meu ser.
Me agrega, me estupra, já não sou eu mais.
São migalhas da minha confusão.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sem vírgula.


A cerveja gelada me arrepia nos desejos que me consomem todos os dias da lágrima que não cai e molha meu coração. O vento que corta meu rosto arrastando meus cabelos quase me despedaçando dos pensamentos que não saem da minha cabeça que gruda e avança no meu corpo inteiro. Não entendo essa irracionalidade que surgiu de um momento através das escadas que formaram um sorriso meio sem graça da cachaça mal consumida. Uma conversa não terminada apenas no infinito dos seus olhos que hipnotizam das pupilas mal dilatadas que refletem minha imagem e o Sol quente que nos queima. A fome me consome nessa madrugada de insônia ouvindo poesia. Me atiro nas nuvens na grama no mar na Lua sozinha esperando Godot. A vergonha dos meus defeitos me sufoca me engana me mancha de sangue. A vaidade enraivece dessa ditadura empobrecida que nos afunda e irrita caindo num mau humor não necessário. Sinto as faíscas da minha pele cinzenta sair pelos poros envergonho-me. Paro me olho me escuto e só vem você não sei o que me é possível. Descabelada docemente sorrio e estendo minhas mãos que querem se retrair mas você não deixa. Já está tarde e cansei de devaneios de semanas à tarde numa rua comprida olhando os rostos a procura do seu. Agora vou dormir e acordar para um dia diferente sem você não quero mais nem nunca quis apenas aconteceu.
Adeus.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Entre minhas pernas.




Toda noite meus passos me levam para a sarjeta. A batucada do samba irradia em mim uma certa alegria passageira. Ao amanhecer, meu cheiro é de álcool misturado com corpos desconhecidos.
Encontro minha colega de trabalho, e juntas vamos a espelunca onde moramos, que a noite nos proporciona tesão, dinheiro, e um tanto de infelicidade.
As ruas viraram minhas confidentes, sempre cheias de amantes de todos os tipos. Asquerosamente passo por eles.
O frio passa pelas minhas pernas descobertas, que finjo não sentir, mas a sensação gelada finca até a alma.
Escuto risos falsos nessas noites tão vazias, e penso como posso fazer parte disso, de todo esse prazer precário, onde nem toda necessidade é suprimida, nem mesmo  nos meus devaneios.
Solto minhas teias como se fosse uma aranha prestes a atacar. Engulo a seco minhas moscas.
Suspiros, respiração, gemidos. Apenas ri, peguei meu dinheiro, e o deixei partir, assim como todos se vão. Não prometo amor em meio a minha luxúria.
Meu samba está no final, o Sol está nascendo.