Desde o meu primeiro suspiro, meu primeiro passo, meu primeiro
beijo, levo tudo junto a mim. Desde as impressões e sentidos de cada lugar,
cada alguém. A cada vento deixo-me também. Pulmão, fígado, coração.
Passo pelos mesmos lugares quase todos os dias, o som da
flauta me invade tão docemente quanto a ela. Todos aqueles rostos diferentes que me acompanham todos os
dias por questão de segundos.
Os dias passam tão rapidamente... e várias tatuagens vão se
formando no meu corpo. O gosto da cerveja quente daquele bar preto, a música
esquecida, de mais um dia fútil que passa por mim, e as conversas tolas numa
escada qualquer.
A dança está nos envolvendo em um certo momento. Tic-tac... sorrisos. Tic-tac...
amor. Tic-tac… tem alguém brigando na rua. Tic-tac… festa!
Minhas marcas vão ficando cada dia mais profundas com o
tempo, fincando-se pelos caminhos percorridos, transbordando pelas árvores da
pracinha que tanto gosto, pelas palavras ingeridas no jantar, pelo toque
gentilmente sentido, e espalhando pelos corpos próximos a mim.
Tic-tac... vida.

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