Rodopiava ao
som de um fá maior!
Seu sorriso
inundava o coraçãozinho dos menininhos que andavam descalços na rua. Andava como
se dançasse com as nuvens. A vidinha simples lhe era suficiente, o cheiro do
café passado todas as manhãs compensava o frio que havia ali.
Todo o dia
passava na frente de um violonista que lhe encantara tocando ritmos latinos,
naquelas tardes vazias que parecem intermináveis.
Trabalhava
numa lojinha de bugigangas que não a fazia feliz, com um misero salário, que
não podia comprar os vestidos floridos das lojas, mas que pelo menos a
sustentava, e podia pagar o aluguel do seu quartinho.
Ela não sabia
o que queria. Quando criança pensava em ser veterinária, para cuidar dos seus
gatos, mas os anos passaram, e eles morreram junto com os sonhos que foram
murchando. Agora pensa que nasceu para
nada, viver de beira em beira por aí, na sua rotina.
Às 18:30
pega seu ônibus lotado para chegar às 20 no seu quartinho alugado no fundo da
casa da Dona Flô. Comia qualquer coisa que servisse, tomava seu banho, via a
novela das 9, e logo após ia se deitar em meio a pensamentos até adormecer.
Acordava de
manhãzinha e repetia o que fazia todos os dias. Passava o seu café, sentia o
cheiro...
E lá estava
ela. Pegando seu ônibus lotado, sendo mais um rosto na multidão, desses que não
notamos. Com seus desejos, alegrias, infelicidades.
Os
menininhos descalços na rua esperando seu sorriso.
- O som do violão!
E a
felicidade momentânea passava por ali.

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