quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

La Redecouverte

Lembro do cheiro dos bolinhos de chuva em tardes ensolaradas. Do calor gostoso que inquietava meu coração, e a pura inocência que brilhava em meus olhos.
Em minhas personagens, a alegria prevalecia. Em minhas brincadeiras, eu voava alto, além da minha imaginação, e dos meus sentimentos. Lembro da música que me preenchia do vazio. Do som das folhas do limoeiro, e do seu cheiro. E o que eu mais gosto era da simplicidade... da simplicidade que eu vivia a vida, não precisando do muito. Aliás, quem nos disse que precisamos do muito? Eu gosto do pouco, do simples. Do toque, do cheiro, do sentir... Gosto do barulho dos pés, e de papéis sendo rasgados. De sorrisos, gargalhadas, e abraços. Gosto de pisar na grama, e deitar para olhar estrelas. Amo o pôr-do-sol e o nascer. Amo o dia, mas sou amante da noite. Gosto de voar em meus sonhos...mas sempre com os pés grudados no chão.
Não entendo o medo, nem o vazio. Não entendo o mundo, nem pessoas que deixaram de viver, que se matam dia após dia num ócio que elas não percebem, ou fingem não perceber. Todas deveriam voltar a ser crianças por um dia...para ver se elas se lembram do simples, da delicia de um sorriso, e de que a palavra medo em seu dicionário significava apenas bicho papão.

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