Sou uma
medusa. Literalmente, Medusa.
Sou
horrenda, dou choques, sou bela, transformo em pedra.
Toco o oco
que existe na camada que protege meus órgãos.
Vivo a
confusão das águas do mar, e da conturbação das águas que existe dentro de mim,
e rodopiam em volta dos meus órgãos. Meu fígado, morto, pede por socorro.
Transmuto
dia após dia, num balé acrobático onde só eu sou o público.
Pulso nessa
madrugada mais ou menos quente, sentindo
a vibração do meu corpo com o universo.
Sou eu. Eu
incessante, em minhas crises existenciais que nunca tem fim. Sou eu, o eu que
sempre vai pela esquerda. O eu que quer mudanças, e é a própria mudança em
constante movimento.
Sou o tempo.
O tempo que percorre em seus pensamentos oriundos. O tempo que transborda vida
e morte. A insegurança dos dias...
Precisa
haver tolerância para esse mar turvo. Me afogo nas ondas mantendo minha calma.
O tempo passa em meus olhos aguados com um pingo de esperança.
Mergulho
profundamente num desespero que não transparece.
Somos a
confusão de todos os dias.

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